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Saramagueando: olhar, ver, reparar...

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Saramagueando: olhar, ver, reparar...

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Legados saramaguianos

BibCamilo, 01.12.21

 

Um dos vetores do programa do Centenário de José Saramago é a leitura. Compreende-se que assim seja, uma vez que está em causa a evocação de um grande escritor que lemos e relemos, que encontramos e reencontramos nas nossas vidas. Agora, depois e bem mais tarde.

Chamamos “Legados Saramaguianos” a um conjunto de ações que, multiplicando-se por lugares e por tempos diversos, ao longo do ano do Centenário, levam igualmente à multiplicação de leituras, em tonalidades próprias. Trata-se de sessões com escritores de língua portuguesa, da geração que veio depois de José Saramago, alguns deles galardoados com o prémio que leva o nome do autor do Memorial do Convento. São esses escritores que convidamos para a leitura de textos saramaguianos; a partir daí, abre-se o debate em torno das respetivas obras e da ficção contemporânea em língua portuguesa.

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Instituído pela Fundação Círculo de Leitores em 1999, o Prémio Literário José Saramago  é atribuído de dois em dois anos a uma obra literária portuguesa escrita por jovens autores cuja primeira edição tenha sido publicada num país de língua lusófona (excluindo obras póstumas).

 

Até 2019, foram atribuídos os seguintes prémios:

Edição

Ano

Obra

Autor

País

1.ª

1999

Natureza Morta

Paulo José Miranda

 Portugal

2.ª

2001

Nenhum Olhar

José Luís Peixoto

 Portugal

3.ª

2003

Sinfonia em Branco

Adriana Lisboa

 Brasil

4.ª

2005

Jerusalém

Gonçalo M. Tavares

 Portugal

5.ª

2007

O Remorso de Baltazar Serapião

Valter Hugo Mãe

 Portugal

6.ª

2009

As Três Vidas

João Tordo

 Portugal

7.ª

2011

Os Malaquias

Andréa del Fuego

 Brasil

8.ª

2013

Os Transparentes

Ondjaki

 Angola

9.ª

2015

As Primeiras Coisas

Bruno Vieira Amaral

 Portugal

10.ª

2017

A Resistência

Julián Fuks

 Brasil

11.ª

2019

Pão de Açúcar

Afonso Reis Cabral

 Portugal

Fonte

Herdeiros de Saramago.png

 

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100 oliveiras para Saramago

BibCamilo, 01.12.21

 

Oliveira.JPG

     Foto: © Lusa

 

No passado dia 16 de novembro, foi plantada a 99.ª das 100 oliveiras para Saramago, na terra natal do escritor, Azinhaga, Golegã. Cada uma das árvores tem um nome de uma personagem da sua obra. A última oliveira, que irá chegar ao solo do Ribatejo a 16 de novembro de 2022, vai ter o nome da sua avó, Josefa.

 

SARAMAGO-8.jpg

António Gomes cuidador da oliveira que guarda as cinzas de Saramago, no Campo das Cebolas. 

 

A escolha da oliveira para lar das cinzas de Saramago remonta à infância do escritor, na Azinhaga. Em algumas entrevistas, Saramago mencionou o cenário da aldeia onde crescera, rodeada de oliveiras. O Nobel de Literatura lamentava ainda o facto de os olivais paulatinamente cederem espaço a culturas mais lucrativas, confessando que a mudança radical da paisagem era, para ele, uma espécie de “golpe no coração”.

O fiel jardineiro que poda, uma vez por ano, a oliveira de Saramago. (2021). Retrieved 1 December 2021, from https://amensagem.pt/2021/04/13/jardineiro-oliveira-jose-saramago-casa-dos-bicos-lisboa/

 

 

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Sobre o centenário

BibCamilo, 25.09.21

logo_Saramago1 (2).png

 

Assinala-se a 16 de novembro de 2022 o centenário de José Saramago. Tal como em circunstâncias semelhantes acontece com outros grandes vultos, a efeméride constituirá uma oportunidade privilegiada para a consolidação da presença do escritor na história cultural e literária, em Portugal e no estrangeiro. E também para se prestar homenagem à sua figura como cidadão.

Aquela consolidação envolve a revisitação de uma atividade literária e cívica que marcou a cena portuguesa e internacional durante décadas, mas que vai além disso; inclui-se nela a afirmação de uma obra com uma vitalidade inquestionável, bem como a acentuação do pensamento social, político e ético de José Saramago. E também o que desse pensamento ressoa no nosso presente. A Carta dos Deveres e das Obrigações dos Seres Humanos sintetiza, pelo seu espírito e pelos seus efeitos, muito do legado saramaguiano.

A atribuição do Prémio Nobel da Literatura confirmou uma consagração internacional que fez de José Saramago uma personalidade com grande significado, para além das fronteiras de Portugal. Assim, Saramago define-se hoje como um “escritor do mundo”, com presença expressiva em manifestações artísticas, educativas, políticas e sociais com vasta disseminação e efeitos variados. Incluem-se nesses efeitos os que decorrem da presença da obra saramaguiana no nosso sistema de ensino e na difusão da língua e da cultura portuguesas no mundo.

Em articulação com outras entidades, a Fundação José Saramago está a preparar um amplo programa de evocação do centenário, distribuído por quatro eixos: o eixo da biografia, dando atenção ao trajeto biográfico, formativo e cívico do escritor, em relação com a sua produção literária; o eixo da leitura, entendendo-se o centenário do escritor como momento adequado para se revigorar a leitura da sua obra e também para conquistar novos leitores, desejavelmente jovens; terceiro, o eixo das publicações, tanto no plano das obras evocativas, de divulgação ou de extensão transliterária, como no das edições ilustradas, com iconografia do escritor e da sua obra; o eixo das reuniões académicas, uma vez que José Saramago é um escritor com forte presença na academia, em Portugal e no estrangeiro, motivando reuniões científicas em diferentes locais.

Pode antecipar-se desde já que o centenário de José Saramago desencadeará iniciativas de entidades muito diversas, em Portugal e noutras partes do mundo. Nesse contexto, a Fundação José Saramago (FJS) assumirá o papel central que lhe cabe, respeitando, evidentemente, a autonomia dos atores e das instituições que venham a dar contributos próprios ao centenário.

Carlos Reis, Comissário para o Centenário de José Saramago, fevereiro de 2021

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