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Saramagueando: olhar, ver, reparar...

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Saramagueando: olhar, ver, reparar...

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Escrever para compreender

BibCamilo, 25.09.21

 

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“De qualquer um dos meus romances creio que se pode demonstrar que foram escritos porque o autor deles tem uma quantas questões a resolver que só pode resolver (ou tentar aproximar-se da resolução delas) escrevendo um livro. Não creio que haja nem venha a haver nenhum livro meu (embora isso também não fosse nenhuma vergonha, evidentemente) do qual as pessoas digam: «Mas porque é que ele escreveu isto?» Não é que eu ache que os livros que escrevi são livros que não existiam (todo o livro que se escreve é porque não existia antes, já sabemos).

Não: o que há ali são livros que eu, como cidadão, como pessoa que sou, diante do tempo, diante da morte, diante do amor, diante da ideia de um Deus existente ou não, diante de coisas que são fundamentais (e que continuarão a ser fundamentais), procuro colocar ali o conjunto de dúvidas, de inquietações, de interrogações que me acompanham e que podem ser de carácter tão imediatamente político (é o caso d' A Jangada de Pedra) como podem ser interrogações de outro tipo.”

REIS, Carlos (1998). Diálogos com Saramago, Lisboa: Caminho, pp. 30-31.

 

 

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