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Saramagueando: olhar, ver, reparar...

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Saramagueando: olhar, ver, reparar...

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

A Casa dos Bicos na aula de Matemática

BibCamilo, 28.10.21

 

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Fachada da Casa dos Bicos © CML | DMC | DPC | José Vicente 2018

 

Os alunos do 10º e do 11º anos, realizaram uma atividade relacionada com a trigonometria, na disciplina de Matemática A, baseada em dados específicos da Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago. 

 

Os alunos do 11º G, na aula de Matemática com a professora Elisabete Pardal.

 

O plano da atividade pode ser consultado aqui
 
 
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Biblioteca, Saramago & Matemática

BibCamilo, 22.10.21

 

No passado dia 20 de outubro, os alunos do 12º C foram desafiados pela professora de Matemática, Dra. Luísa Figueiredo, a fazer um exercício baseado nos livros de Saramago que se encontram numa das prateleiras da Biblioteca.

A tarefa apresentada pode ser consultada aqui

Fica a reportagem fotográfica:

 

 

 

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Os meus sinais de pontuação

BibCamilo, 16.10.21

 

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Carlos Reis: O que torna a sua pontuação surpreendente é que ela continua a existir, só que é diferente daquilo que convencionalmente se esperaria.

José Saramago: Aí direi que os meus sinais de pontuação, quer dizer, a vírgula e o ponto final [...] não são sinais de pontuação. São sinais de pausa, no sentido musical, quer dizer: aqui o leitor faz uma pausa breve, aqui faz uma pausa mais longa. Quando aconteceu algumas pessoas dizerem que não entendiam nada, a minha única resposta, nessa altura, já há muitos anos - em 1980, quando o Levantado do Chão saiu -, foi: leiam uma página ou duas em voz alta. E depois acontecia as pessoas dizerem: "Já percebi o que é que tu queres". É fácil. O leitor há-de ouvir, dentro da sua cabeça (o leitor não tem que andar lá em casa a chatear a família lendo o Memorial do Convento ou O Evangelho Segundo Jesus Cristo em voz alta), a voz que "fala". Tal como eu, quando estou a escrever, necessito estar a ouvir na minha cabeça a voz que "fala". É por isso que começar um livro é para mim tão complicado; porque, enquanto eu não sentir que aquele senhor já está a "falar", que não está simplesmente a escrever o livro, eu posso empurrá-lo e fazer avançar, mas mais cedo ou mais tarde tenho que parar porque tenho que reconsiderar tudo aquilo que fiz.

Reis, Carlos (1998). Diálogos com Saramago. Lisboa: Caminho, pp. 101-102

 

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Dificílimo é o ato de escrever

BibCamilo, 16.10.21

 

 

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“Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidade das maiores, basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias [...]”.

Saramago, José (1986). A Jangada de Pedra. Lisboa: Caminho, p. 14

 

 

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Diálogo com Borges: o jogo de referências, citações e falsas citações

BibCamilo, 16.10.21

 

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Imagem: Mise-en-abyme, de Crisp Linens

 

"Eu diria que a epígrafe me ajuda, no sentido de que ela é já uma proposta: é como se a epígrafe já me apresentasse o campo de trabalho onde depois a narrativa se vai desenvolver. No caso do Ensaio sobre a Cegueira, isso é claríssimo: "Se podes olhar vê, se podes ver repara". Ou seja: caro leitor, dê atenção àquilo que eu lhe vou contar. Tirando o caso d' O Ano da Morte de Ricardo Reis, em que as citações não são minhas, normalmente aparecem-me de um Livro dos Conselhos, inexistente, de facto. Mas essa é uma pecha antiga, porque a verdade é que, na Jangada de Pedra, há duas citações, uma de Estrabão, que diz «A Ibéria tem a forma duma pele de boi» e depois aparece por baixo uma outra citação de um anónimo português, que diz «A Península Ibérica tem a forma duma jangada». Se calhar tudo isto é um pouco borgiano, suponho eu, com todo o jogo de referências e de citações e de falsas citações, até. Mas já na primeira edição d' A Bagagem do Viajante, publicada em 1973, há uma epígrafe que diz assim: «É muito raro poder dizer-se que uma viagem é perfeita antes de acabar, mas acontece»; do Manual do Viajante. Portanto esta tineta das epígrafes, retiradas de livros que não existem, é do tempo em que eu não sabia muito bem ainda o que é que eu iria ser...

Reis, Carlos (1998). Diálogos com Saramago. Lisboa: Caminho, pp. 89-90

 

 

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O melhor que às vezes os livros têm são as epígrafes

BibCamilo, 16.10.21

 

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"Contra mim falo: o melhor que às vezes os livros têm são as epígrafes que lhes servem de credencial e carta de rumos. Objecto Quase [livro de contos], por exemplo, ficaria perfeito se só contivesse a página que leva a citação de Marx e Engels. Lamentavelmente a crítica salta por cima dessas excelências e vai aplicar as suas lupas e os seus escalpelos ao menos merecedor que vem depois."

Saramago, José (1998). Cadernos de Lanzarote III. Lisboa: Caminho, p. 19

 

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